Ainda não…

por Priscilla Lima Em fins de maio desse ano, participei de uma banca de defesa de tese de doutorado que tratava da questão da ambivalência em alguns contos de Guimarães Rosa. A leitura e análise da tese me remeteu a algumas questões que compartilho aqui. Estudar questões essencialmente humanas a partir da literatura não é … Continue lendo Ainda não…

Cora e os becos de Goiás[i]

por Priscilla Lima Nos Poemas dos becos de Goiás, publicados em 1965, Coralina elege como tema personagens e paisagens totalmente esquecidas e silenciadas pela vida urbana. Os becos e seus objetos comuns são poetizados: Espólio da economia da cidade. Badulaques: Sapatos velhos. Velhas bacias. Velhos potes, panelas, balaios, gamelas, E outras furadas serventias Vêm dar … Continue lendo Cora e os becos de Goiás[i]

Poiesis de si

Nesse primeiro post, gostaria de retratar algumas questões levantadas por Aristóteles em “Poética” e no livro VI de “Ética a Nicômaco”. Em sua análise acerca da poesia, Aristóteles ressalta que, diferentemente do historiador, o poeta imita a vida e imita ações. Assim, ao imitar a vida, sua função não é recontar o que aconteceu mas o que poderia acontecer, o que é possível. O poeta recria, dessa forma, a realidade e enuncia verdades universais. A poiesis – cujo sentido se assenta na criação e na fruição estética – aponta para um posteriori, mesmo se baseando em algo que já aconteceu. A elevação e a filosofia da poesia, apontadas por Aristóteles, se fazem presentes justamente na capacidade do escritor em transformar o passado e o presente em possibilidades de recriação do futuro (...)