Semente e fruto

por Cora Coralina Um dia, houve.Eu era jovem, cheia de sonhos.Rica de imensa pobrezaque me limitavaentre oito mulheres que me governavam.E eu parti em busca do meu destino.Ninguém me estendeu a mão.Ninguém me ajudou e todos me jogaram pedras. Despojada. Apedrejada.Sozinha e perdida nos caminhos incertos da vida.E fui caminhando, caminhando…E me nasceram filhos.E foram … Continue lendo Semente e fruto

Sequência

por Cora Coralina Dormir, acordar. lutar; lutar sempre, sempre assim, até o fim. A rotina da vida vai passando, vai rolando, empurrando sempre, sempre para a frente. Impassível o tempo que se espera. Contra o tempo que exaspera, desespera. E vai passando aceitando inexorável, inflexível: O vai-vem da vida, a sequência dos dias, o cotidiano … Continue lendo Sequência

Meu epitáfio

por Cora Coralina Morta... serei árvore serei tronco, serei fronde e minhas raízes enlaçadas às pedras de meu berço são as cordas que brotam de uma lira Enfeitei de folhas verdes a pedra de meu túmulo num simbolismo de vida vegetal. Não morre aquele que deixou na terra a melodia de seu cântico na música … Continue lendo Meu epitáfio

Semente e fruto

Semente e fruto Cora Coralina Um dia, houve. Eu era jovem, cheia de sonhos. Rica de imensa pobreza que me limitava entre oito mulheres que me governavam. E eu parti em busca do meu destino. Ninguém me estendeu a mão. Ninguém me ajudou e todos me jogaram pedras. Despojada. Apedrejada. Sozinha e perdida nos caminhos … Continue lendo Semente e fruto

Cora e os becos de Goiás[i]

por Priscilla Lima Nos Poemas dos becos de Goiás, publicados em 1965, Coralina elege como tema personagens e paisagens totalmente esquecidas e silenciadas pela vida urbana. Os becos e seus objetos comuns são poetizados: Espólio da economia da cidade. Badulaques: Sapatos velhos. Velhas bacias. Velhos potes, panelas, balaios, gamelas, E outras furadas serventias Vêm dar … Continue lendo Cora e os becos de Goiás[i]

Becos de Goiás

BECOS DE GOIÁS Cora Coralina Beco da minha terra... Amo tua paisagem triste, ausente e suja. Teu ar sombrio. Tua velha umidade andrajosa. Teu lodo negro, esverdeado, escorregadio. E a réstia de sol que ao meio-dia desce, fugidia, e semeia polmes dourados no teu lixo pobre, calçando de ouro a sandália velha, jogada no teu … Continue lendo Becos de Goiás